Uma parte dos teólogos fez dos espíritos um só

A Bíblia confirma o contato com os espíritos, mas a história foi distorcida ao longo dos séculos. 📖✨ Descubra o que mudou, reflita sem dogmas e aprofunde seu entendimento espiritual agora! 🙏🔎
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Entre Jesus, seus apóstolos e o povo contemporâneo deles, como eram os gregos, já eram conhecidos os pneumatos, palavra originária do vocábulo grego “pneuma” (“espírito” em português). Pneumatos eram e são as pessoas que recebem espíritos comunicantes e que, a partir do século XIX, passaram a ser chamadas também por Kardec de “médiuns”.

Moisés proibiu o contato com os espíritos em Deuteronômio capítulo 18, porque os pneumatos cometiam muitas fraudes, enganando os familiares dos mortos. E é oportuno lembrar aqui que, frequentemente, espíritos maus (melhor se diria “pouco evoluídos”) também ensinam coisas erradas, como demonstra 1 João 4:1. Como se vê, a Bíblia não nega a verdade dos contatos com os espíritos; pelo contrário, até confirma essa verdade, condenando apenas as fraudes dos médiuns e os erros dos espíritos manifestantes. Mas os adversários do espiritismo, por ignorância ou má-fé, falam sempre que a Bíblia condena o espiritismo. Se um médium serve de meio para o contato com os espíritos, como esse contato pode ser um pecado, se é Deus que dá às pessoas o dom da mediunidade, chamada por São Paulo de “dons espirituais”? (1 Coríntios 12: 4-11).

Depois da criação da Santíssima Trindade, os dons espirituais dos indivíduos médiuns, dons estes que são dos espíritos dos médiuns, os teólogos trinitaristas passaram a ensinar, erradamente, que esses dons espirituais dos médiuns são concedidos aos médiuns pelo Espírito Santo da Terceira Pessoa Trinitária. O certo é que esses dons espirituais são dados às pessoas médiuns por Deus, pois já eram assim antes da criação do Espírito Santo pelos teólogos trinitaristas no Primeiro Concílio Ecumênico de Constantinopla, em 381.

E um detalhe: não há no grego, a língua original do Novo Testamento da Bíblia, o artigo indefinido “um”. Só existe o definido “o”, em grego “ho”. Mas os tradutores trinitaristas da Bíblia para o português e outras línguas que têm o artigo indefinido “um” deveriam o ter colocado nas suas traduções. No entanto, colocaram, erroneamente, o definido “o”. E assim fizeram diante de “o” Espírito Santo, quando o certo seria “um” espírito santo.

Foi desse modo que os tradutores da Bíblia colaboraram com a divulgação da ideia errada de que os espíritos comunicantes são um só, o Espírito Santo! E perguntamos: mesmo quando se trata do Espírito Santo de Jesus, que não é o Espírito Santo da Terceira Pessoa Trinitária?

Com este colunista, professor de português e literatura aposentado, “O Espiritismo na Bíblia”, na TV Mundo Maior, e palestras e entrevistas em TVs (YouTube e Facebook). Seus livros estão também na Amazon, incluindo os em inglês e a tradução da Bíblia (N.T.). contato@editorachicoxavier.com.br (Cassia e Cléia).

Respostas de 2

  1. Santo Inácio de Antioquia (c. 107 d.C.)
    “Esforçai-vos por vos reunir… em uma só fé e em Jesus Cristo… e no Pai e no Espírito.”
    (Carta aos Magnésios, 13)

    Justino Mártir (c. 150 d.C.)

    “Adoramos e veneramos o Pai… e o Filho que dele veio… e o Espírito profético.”
    (Primeira Apologia, 6)

    Irineu de Lião (c. 180 d.C.)

    “A Igreja… recebeu a fé… em um só Deus Pai… e em um só Cristo Jesus… e no Espírito Santo.”
    (Contra as Heresias, I,10,1)

    Tertuliano (c. 200 d.C.)
    Primeiro a usar explicitamente o
    termo “Trindade” (Trinitas):

    “Uma só substância em três pessoas: Pai, Filho e Espírito Santo.”
    (Contra Práxeas, 2)

    Orígenes (c. 220 d.C.)
    “Nada na Trindade pode ser considerado maior ou menor.”
    (De Principiis, I,3,7)

    Hipólito de Roma (c. 205 d.C.)

    “O Pai ordena, o Filho executa, o Espírito manifesta.”
    (Contra Noeto, 14)

    Cipriano de Cartago (c. 250 d.C.)
    Sobre o batismo:

    “Aquele que é batizado é santificado pelo Pai, pelo Filho e pelo Espírito Santo.”

    Mas como vocês dizem “isso é invenção dos teólogos trinitaristas do primeiro concilio ecumênico de Constantinopla em 381”

    1. Olá João!

      Recomendamos o e-book: Trindade – O “Mistério” Imposto Por um Leigo e Anuído Pelos Teólogos
      https://apologiaespirita.com.br/trindade-o-misterio-imposto-por-um-leigo-e-anuido-pelos-teologos/

      “O espírito tacanho, não raro, fossiliza-se nas suas ideias, que, geralmente, nem são suas – ao passo que o espírito largo evolve, progride, abandona opiniões antigas e menos exatas por outras, mais prováveis.” (HUBERTO ROHDEN)

      Nesta obra, Paulo Neto analisa a doutrina da trindade, mostrando que não foi uma inovação da Igreja Cristã, pois a ideia de uma divindade composta por três pessoas distintas já existia em várias culturas antigas, como na Suméria, Grécia, Egito, Índia, China, Pérsia, entre outras. Ele aponta que a trindade não é explicitamente mencionada no Novo Testamento e que foram necessários diversos artifícios intelectuais para justificá-la ao longo do tempo, muitas vezes motivados por interesses políticos e egoístas.

      Immanuel Kant, em 1784, observa que os homens, mesmo perseguindo seus interesses particulares, seguem inadvertidamente um propósito da natureza. Kant e Montesquieu debatem sobre as formas de governo, destacando que a forma republicana é a que melhor evita a tirania e promove a liberdade e a paz. Através dessa reflexão, pode-se vislumbrar que a introdução da doutrina da trindade poderia ter sido motivada pela necessidade de uma autoridade divina não despótica.

      Por fim, mesmo que a doutrina da trindade tenha sido introduzida no Cristianismo por motivações pouco nobres, Neto sugere que não devemos rejeitá-la apressadamente. A ideia de uma autoridade divina exercida de forma republicana, com mais de uma pessoa, pode ser válida tanto no Reino de Deus quanto nos reinos terrenos.

      Boa leitura!

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